CONCURSO PÚBLICO DE CONCEÇÃO PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO DO TERREIRO DO PALÁCIO NACIONAL DE QUELUZ
CO-AUTORIA COM O ARQ. RODRIGO COELHO . 2016
Pretende-se reordenar o Terreiro do Palácio de Queluz, num contexto histórico e cultural radicalmente diferente do que está na sua origem. Trata-se portanto de recriar um espaço que deverá enquadrar-se num delicado equilíbrio entre a realidade histórica e a realidade actual, num esforço que deverá ter presente os pressupostos de realidade imaginada mas não concretizada.
Este caso, como outros congéneres, foi idealizado como um conjunto urbano unitário, subordinado a leis geométricas claras, onde a marcação dos eixos de composição e de simetria são determinantes para a criação do equilíbrio visual do conjunto, e onde a arquitetura, enquanto edifício singular, se submete à composição urbana do todo.
Considerando que o tratamento global e unitário do conjunto não deve ser em caso algum posto em causa, julga-se fazer sentido individualizar e conferir um tratamento distinto aos três espaços com características próprias que o compõem :
A Praça, que organiza o eixo principal do terreiro no sentido nascente-poente, a Alameda, enquanto “espaço de antecâmara” que percorre o terreiro no sentido norte-sul e finalmente o Recinto – Laranjal, de forma rectangular, que assume características formais e espaciais diferentes dos dois espaços anteriormente referidos.
A leitura geométrica da Praça será  reforçada pela marcação no pavimento de uma Elipse com o centro focal na confluência do dois principais eixos de simetria e no seu centro uma grande Taça de água que evoca a antiga “ Fonte das quatro bicas”. Propõe-se a reconstrução do limite norte- nascente da Praça com um edifício simétrico ao do corpo norte-poente.
Tanto na Praça como na Alameda  renova-se o carácter duro e austero, a exaltação de um amplo vazio cénico que o espaço contem na sua génese através da ausência de arborização e da utilização de pedra no desenho do chão : Basalto e lioz, em claro contraste cromático a clarificar a leitura do desenho ,mas também a hierarquizar a utilização : lioz para espaços de uso exclusivamente pedonais, o reaproveitamento da calçada em basalto para zonas de tráfego.
A percorrer a Alameda no sentido Norte-Sul, um canal de água no pavimento faz a ligação entre a Taça de água e o Chafariz de Carranca e evoca a presença e a importância da água na história do Palácio, dos seus jardins, e na transformação do território envolvente.